Foi preciso dar-lhe algum tempo, desde o lançamento até ao momento ideal, para enfim falar do mais recente álbum dos Placebo. Sou um admirador da banda, gosto de tudo o que produziram até hoje e acho-os muito bons em palco. Todo este timing até a altura certa não se deveu a nenhum pseudo-arrufo que tenha tido com algum trabalho anterior da banda de Brian Molko mas sim com um estado de natural exigência que, depois de Black Market Music (BMM) me torna um sacana picuinhas.Mas naturalmente tudo o que queira comparar a BMM seria de tremenda injustiça. A banda está diferente (até na composição), os momentos e vivências são outros, os objectivos são novos. E a verdade é que BMM trouxe algo de portentoso ao panorama rock. Não é isso que acontece com Battle for the Sun. Mas é um bom álbum. Após ouvido as vezes suficientes e com atenção devida o álbum carrega consigo os elementos habituais dos Placebo, que tanto me agradam, nas melodias cuidadas, nas guitarras de Brian Molko, nas letras sempre de maior profundidade emocional. Talvez esteja, isso sim, menos energético e irreverente, menos acutilante na verbe, talvez seja um trabalho mais ponderado. Mas isso será provavelmente o reflexo daquilo que foram e são os Placebo. BMM veio na altura em que a banda quebrava com a norma e na sua atitude libidinosa criava choque e deslumbramento. Mas esses não são os Placebo de agora. Se sinto alguma falta dessa energia vibrante? Sim. Mas também gosto dos temas de Battle for the Sun, ainda e sempre os mesmos Placebo das baladas carregadas de sentimento. Acho que o album está bom e recomenda-se. Os fãs mais exigentes poderão franzir o nariz ao primeiro impacto, como eu fiz, mas facilmente perceberão que não vale a pena e não é caso para drama. Não há desilusão à vista.
Recomendado por 7 em 10 taralhões.














