Mostrar mensagens com a etiqueta Crime. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crime. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 16 de março de 2010

Alguém desapareceu...


Shutter Island é o mais recente filme de Martin Scorsese, em mais uma colaboração com Leonardo DiCaprio. A história transporta-nos até 1954 onde acompanhamos o U.S. Marshall Teddy Daniels, destacado para investigar um desaparecimento no hospital psiquiátrico Ashecliffe em Shutter Island. Daniels tem os seu motivos pessoais para querer estar envolvido nesta missão mas depressa sente que aquilo em que se meteu é bem mais vasto e sinistro do que julgava. Entre o cinismo das pessoas do hospital e no meio do caos provocado por um tornado que ataca a ilha, Daniels começa a duvidar de tudo, de todos e até da sua própria sanidade.

A premissa era convincente. E, de facto, este é um filme bastante bom. A história está bem conseguida e é acompanhada fielmente por um óptimo trabalho de cenografia. Mas o ponto forte deste filme é mesmo a sua mood algo sombria, quase num estilo Lovecraftiano. O jogo de ambientes escuros com a tensão psicológica em crescendo resulta. Acrescente-se a isto o sucesso no casting dos personagens e respectivas boas interpretações e a fórmula tem de conduzir ao sucesso. Perto do final há o risco do espectador prever o que vai sair dali, mas isso não prejudica o filme. Aliás, mesmo vislumbrando que o final seria algo do género, pessoalmente gostei que tivesse terminado da forma como terminou.

Em boa verdade é um filme que vale a pena ver nas salas de cinema e a prova das boas escolhas continuadas de DiCaprio no que respeita a interpretações. Uma boa sugestão para o final de noite, e que foi apreciada por 8 em 10 taralhões.

domingo, 26 de julho de 2009

Crime à Portuguesa



O último filme de Leonel Vieira que tinha visto, A Bomba, foi um furo completamente ao lado. Felizmente Arte de Roubar é de uma dimensão completamente diferente. No paronama estagnado e pobre do cinema portugês (e deixemos aqui o debate sobre se isso se deve à qualidade das pessoas/projectos ou falta de investimento para depois) de onde apenas raramente saem ideias interessantes, Arte de Roubar é uma agradável lufada de ar fresco. Desde logo é impossível não encontrar fortes influências do estilo Tarantino e outros do género. Na fotografia do filme, na "organização" por capítulos, no quadro de personagens à disposição. Mas não estou aqui a criticar essa opção, pelo contrário terá sido porventura o caminho certo para dar alguma credibilidade a esta produção. Outra ajuda fundamental é o facto de ser falado em inglês. Os textos ganham consistência e parecem encaixar muito melhor.

A história resume-se a dois pilantras amigos, ladrões amadores, que aceitam o desafio de roubar um Van Gogh precioso e há muito desaparecido da quinta de uma condessa. Os dados são lançados pelo mordomo aparentemente revoltado da senhora. Obviamente... tudo havia de correr mal.

Na sua passada descontraída, Arte de Roubar é uma comédia ligeira, com textos simples e uma linha de acção bastante fácil de acompanhar. A representação está boa, a fotografia também, e emprestando ao filme um ar quase série B, e os efeitos são simples mas quanto baste para o pretendido. Pessoalmente, adorei a cena da tourada e todo o papel dos actores principais, Ivo Canelas e Enrique Arce. Verdade seja dita, Arte de roubar consegue o mesmo que filmes de gabarito bem superior, trabalhando com um orçamento bem menor. E se misturado na prateleira das produções internacionais, passaria perfeitamente por um qualquer trabalho digno de rigor e credibilidade. Acho-o um bom filme de entretenimento, com todos os ingredientes misturados na dose certa, que vale certamente a pena visionar. Espero que sirva de impulso para o cinema português mais comercial.

Agradavelmente visto e apreciado por 7 em 10 taralhões! (Alguns dos quais lusitanos)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Acreditas no destino?


E o grande filme de 2008 é: Slumdog Millionaire. Já arrecadou o globo de ouro e acredito que possa conseguir igual proeza nos Óscares. O grandioso Danny Boyle, de quem sou grande admirador, que já nos trouxe obras-primas como Trainspotting ou 28 Days Later ou Sunshine, voltou a fazer das suas. Num exercicío de estilo muito próprio traçou neste filme um hino à vida e uma celebração do amor. Co-realizado com um autor indiano (Loveleen Tandan), o filme trata precisamente da vida em Mumbai (a antiga Bombaím) sob os olhos de Jamal Malik. Slumdog que se traduz em algo como "cão de favela" é Jamal. Um entre muitos miúdos pobres que vivem na rua, do lixo e da esmola, alvos constantes de maus tratos e abusos. Miúdos que vivem de sonhos e ilusões acerca da vida e do futuro.

Jamal desde cedo sofre as intempéries de uma vida difícil numa cidade difícil, num país díficil. Onde religião e política e crime organizado coexistem, num verdadeiro inferno terreno, mascarado sob amontoados de lata a que alguns chamam casa. A sua vida vai dar muitas voltas e um dia descobrirá o amor. E é aí que tudo se concentra.

Jamal, miúdo que serve chá a outros e que não teve qualquer educação, resolve um dia participar no célebre Quem Quer Ser Milionário e realiza uma caminhada triunfante até ao prémio final. Tudo por amor, tudo para encontrar a felicidade que desde sempre procurou. Obviamente, a constatação deste facto não é feita de ânimo leve pela sociedade indiana. Afinal, Jamal é apenas um pobretanas analfabeto.

Danny Boyle fez um retrato muito crú e genuíno da sociedade e cultura indiana. Mas não o fez com um peso dramático exagerado, não é um filme para nos levar às lágrimas de tristeza. A forma leve com que realizou é um ponto a favor. Outro, é a belíssima fotografia e os cenários retratados. Boyle tem este hábito, de criar uma ambiência que seja quase palpável, criando um pano de fundo extraordinário para os seus filmes. Gosto que o filme não tenha pudor no retrato que faz de uma Índia ainda muito díspar, onde o peso da religião e das diferenças sociais é elevado, mesmo nos dias de hoje. Como complemento temos ainda a música, que certamente irá arrecadar bastantes prémios também (o globo já foi).

Tudo isto é verdade, mas o filme carrega consigo uma mensagem bem mais vasta. Como disse, é um hino à vida, à sobrevivência, à capacidade de lutar por um fim melhor, à força de acreditar. E é uma celebração do amor. Para os que crêem que há um final feliz para todos, haja o que houver pelo meio. Achei-o uma obra fantástica, que merece sem dúvida um lugar na história dos grandes filmes. Recomendado por um total de 10 taralhões!