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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Caixote Mágico #22

Os The Good The Bad são um projecto altamente aliciante, com origens dinamarquesas, e que merece sem dúvida alguma que se lhe preste atenção. O Caixote Mágico desta semana, aqui n' O Ninho, é o seu magnífico vídeo... uma obra de arte que não deve passar despercebida a ninguém. Desfrutem!


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Anticristo vive em todos nós?


Depois de visualizar Antichrist, de Lars Von Trier, qualquer esforço da minha parte no sentido de analisar e partilhar a minha interpretação do mesmo seria fútil. Este é um filme que deve ser apreciado e lido por cada espectador à sua maneira. E desde já fique claro que não é um filme onde haja meio termo. Ou se gosta, ou se odeia.

Sou um fã confesso de Lars. É um dos meus realizadores de culto. Como tal, as minhas expectativas para este filme eram altas. E foram superadas. Antichrist rasa a obra-prima, a meu ver, por ser quase teatral, quase lírico. O filme é na sua essência bastante misógino e intrínsecamente ligado ao Catolicismo. Carregado de simbolismo, patente em pormenores deliciosos e cuidadosamente estudados e planeados. Trata da natureza humana na sua essência, e fazendo a ligação com as passagens do Génesis bíblico abre portas a uma profunda e muito dura interpretação dos eventos. A forma como a temática da mulher, seja ela Eva/Maria, do pecado e da tentação, do Homem/Deus, do arrependimento e do sacrifício, da sexualidade e dos males do Homem são tratados são de um requinte muito selecto e muito raro nos dias de hoje. Arriscaria até dizer que pode ser visto como uma alegoria do mito do Génesis, na qual Lars Von Trier expõe os terrores da crença Cristã acerca das origens do pecado.

O filme divide-se num prólogo, capítulos e epílogo. Todos eles subjacentes a uma ideia bem definida que fará sentido com o visualizar do filme. E o prólogo é incrivelmente genial, rodado em preto e branco e em slow motion, ao som de uma ária clássica. Cinco minutos de puro deleite e admiração. Posso dizê-lo sem pudor, uma das melhores "entradas" que vi até hoje.

As personagens principais não aparecem nomeadas, o que faz todo o sentido dado o simbolismo impregnado quer nestas quer nos seus gestos. A leitura subjacente a cada cena deste filme é muito particular e muito rica. Mas isso fica ao critério de cada um.

Também uma nota para referir que tudo neste filme é tratado com uma falta de vergonha muito saudável. Tudo muito crú, sendo que algumas cenas são de facto pesadas, mas pessoalmente não faz qualquer sentido rotular este filme como gore, como foi feito por muita gente. Há de facto partes intensas, sobretudo perto do final, mas o somatório de todas não pode valer pelo filme.

Acho que Antichrist é do melhor que vi nos últimos tempos e deixou-me mesmo muito agradado. É um filme que acho que é bastante livre de ser interpretado por cada um à sua maneira, com a leitura que quisermos fazer dos eventos. Eu tenho a minha, sustentada naquilo que li no filme e aonde este me transportou. Acho-o uma análise dura e muito real da natureza humana, que vai ao âmago da mesma, visitando e descodificando todo o episódio do Génesis, como interpretado (lá está) por Lars Von Trier. Se é uma visão do realizador peranto uma fé Cristã marcada por lamentáveis e olvidáveis episódios passados, ou até uma viagem ao universo tão misterioso da psique humana... quem sabe? Que cada um veja com os seus olhos e sinta com as suas emoções. Certo é que este filme merece ficar registado e tornar-se um objecto de muita estima e culto pelo fabuloso pedaço de arte que é. Desde a fotografia ao cuidado com todo e qualquer pormenor até às interpretações fabulosas de Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe. Ambos em alta e merecedores de prémio pelo registo.

Apreciado em deleite por um total de 10 taralhões.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Corporações Obscuras para tótós*

#1 - A IGREJA CATÓLICA




Uma paródia da autoria de Louis C.K.



*Considerem-se os visitantes avisados que o post em questão poderá ferir susceptibilidades. Apesar da autoria da chalaça aqui apresentada não pertencer aos génios criativos por detrás deste antro de maledicência, os mesmos estão-se marimbando para o facto de poder ser ofensivo. Já sabemos que vamos arder no Inferno e blah blah blah...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Barcelona e o elogio da vida


Sem grandes surpresas, o mais recente filme de Woody Allen deixou-me maravilhado. O velho Woody não agrada às massas e os seus espectadores habitualmente dividem-se entre o "odiei" e o "adorei". Mas isso é perfeitamente natural para um génio criativo como o seu, que se estará bem nas tintas para o que os outros pensam.

Vicky Cristina Barcelona é um filme que não se perde em rodeios e vai directo ao assunto. A história é bastante simples, mas traz consigo uma mensagem em background, que é o que devemos reter no final. Duas amigas, Vicky e Cristina, melhores amigas mas muito diferentes na personalidade decidem partir rumo a Barcelona para gozar o Verão. Vicky está a trabalhar na sua tese de mestrado sobre a identidade catalã, ideia que veio da sua paixão por Gaudi. Cristina deixou recentemente mais um namorado e, sem rumo definido, procura um escape.

Ora o seu caminho acaba por se cruzar com o de Juan Antonio, um impulsivo galã, que sem rodeios as convence a viajar consigo até Oviedo para um passeio cheio de romance. E é aqui que a trama se complica. Entre amores e desamores, acontece de tudo um pouco, desde os mais pequenos inconvenientes às mais loucas confusões. Tudo o que se segue são relatos detalhados desse Verão e das aventuras que cada uma das personagens acaba por passar. Ao bom estilo de Woody, a confusão e o absurdo são pratos principais. Aliás, o seu estilo inconfundível está bem patente nos diálogos cáusticos e recheados de humor negro com que somos presenteados em cada cena. Neste capítulo há que destacar as representações tão bem conseguidas, das quais destaco Javier Bardem que está divinal. O papel cai-lhe que nem uma luva.

O filme desenrola-se assim em tom descontraído, e ao longo do tempo vamos recebendo pequenos prémios. Cenas de Barcelona que nos deixam roídos de inveja por não estarmos lá naquele instante a disfrutar da beleza da cidade e das obras de Gaudi e Miró que constantemente fazem de cenário. Outro trunfo espectacular é a presença de um narrador, que nos dá o mote para cada cena e descreve o estado de espírito das personagens.

Todos estes detalhes complementam-se naquilo que é o resultado final. Life is the ultimate work of art. Na minha humilde perspectiva, Woody Allen criou aqui um pequeno elogio à vida e ao maravilhoso que é disfrutar o momento. Um tributo ao carpe diem, se quiserem. Seria impossível passar pelo filme todo e não pensar na minha própria vida e em quantas vezes terei permitido a mim mesmo gozar aquelas emoções, guiadas pelo impulso do momento.
Portanto, Woody Allen criou aqui mais uma pequena obra prima. Não porque é portentoso, não porque ficará na história como um épico do cinema. Precisamente pelo contrário de tudo isso. Porque é simples, e é nas coisas simples que por vezes encontramos a mensagem de que precisamos. E tudo com muito sentido de humor à mistura. Bravo, então!

Recomendado vivamente por 8 em 10 taralhões.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Caixote Mágico #9

"All these extremes make our music ribbed. We don't fit easily into pigeon-holes - not in music and not in life. We feel our generation has been cheated. Modern life has conspired to make us dumb, numb and un-questioning. We want people to tap into their primal senses again: lust, anger, love, fear, happiness and humour. Lyrically and musically the songs on this album express all these feelings and instincts."


"Stripper", das britânicas Soho Dolls