terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O chefe recomenda: Tragicomédia


E quando menos esperava, eis que fui surpreendido com um filme que me tinha despertado apenas moderada atenção. Confesso que, aquando das apresentações e propaganda demais, In Bruges me passou um pouco ao lado. O filme, do quase desconhecido (para mim) Martin McDonagh, aparentava-se-me mais uma história banal de vilões e suas desventuras. Mas não podia estar mais enganado.

Uma agradável surpresa de facto, constatar desde o começo do filme que estava na presença de um comédia trágica, ao melhor estilo de Shakespeare. Um mimo. A história gira em torno de dois assassinos, que trabalham para um homem muito pouco paciente. Depois de um incidente são enviados para Bruges (e onde raio fica Bruges, pensam eles) para manterem um low profile durante uns tempos. Ou pelo menos, assim pensam. No fundo, a história rapidamente ganha outros contornos de bem maior negrúme.

Já que têm duas semanas agendadas para passar naquela cidade desconhecida, o seu tempo é aproveitado a passear e ver as vistas. E isso irá despoletar uma série de acontecimentos deveras abstractos.

Posso afirmar sem pudor algum que soltei umas valentes gargalhadas com este filme. Não porque se trate de uma comédia brutalíssima (nem é esse o seu intento), mas porque considero tratar-se de um perfeito elogio ao mais puro nonsense, que é o meu estilo de comédia favorito. Os diálogos são geniais, com as conversas a redundarem nas mais absolutas insignificâncias. O que, ligado às pessoas em questão e à situação propriamente dita, torna-se incrivelmente cómico. Depois, temos aquela que é uma das cenas mais incríveis que vi nos últimos tempos (não vou estragar, calma!), e que trata do momento em que, regados a álcool e droga, os personagens convivem num quarto de hotel e divagam. Quando virem saberão identificar.

No fundo, todo o filme é isto. Pura insanidade e absurdo em cada diálogo. Uma história que é dramática e que assume contornos cómicos por todos os que estão envolvidos e pelos pormenores acrescentados à temática central. E finalmente, um epílogo em pura catástrofe que é também a purgação de todos os males.

Achei genial a forma como tudo se desenrolou e a criatividade por detrás de tudo quanto é cena e diálogo neste filme. Para ver e rever com os amigos. Claramente o filme de 2008 que mais me surpreendeu. Recomendado por 8 em 10 taralhões!