
Quando dois artistas geniais como Robert Rodriguez e Quentin Tarantino se juntam e resolvem criar algo, o resultado só pode ser muito bom. Num tributo às sessões duplas do cinema de terror de antigamente (lá para os idos de 70 e companhia) resultou Grindhouse. Uma double-feature que consiste de 'Death Proof' de Tarantino e a obra-prima em que me vou centrar no presente artigo - 'Planet Terror'.
Tudo está bem no mundo até ao dia em que, algures numa base militar perdida no meio do Texas, um arrufo entre negociantes manhosos com muitos tiros à mistura provoca a libertação para a atmosfera de uma suposta arma biológica. Todos aqueles expostos a este gás altamente contagioso sofrem o pequeno inconveniente de se transformarem em zombies assassinos e devoradores de carne! Ora digam lá que não está já tudo bastante delicioso!? Mas há mais e melhor! No meio disto tudo vamos ter um grupo bastante caricato de heróis, que juntos irão combater a praga, destilando litros e litros de sangue por tudo quanto é pixel de imagem.
A nossa heroína é Cherry, uma go-go dancer, que fruto de um ferimento mais grave se viu privada da perna direita. Este detalhe rapidamente é resolvido pelo seu namorado, o mecânico Wray, recorrendo ao seguinte brinquedo:

Exacto! Por esta altura é normal que começem a salivar em antecipação. Com tanta promessa boa não há quem resista! A nossa equipa de heróis improvisados lá parte em busca de refúgio ou de uma solução miraculosa. Ao mesmo tempo que vão aniquilando zombies pelo caminho, têm de se precaver contra os militares obscuros e algo dementes que se lhes opõem também, e que são liderados por Bruce Willis. Ele que contribui para este filme com um papel secundário magnífico. Igualmente digno de registo é o cameo de Tarantino, no papel de soldado nojento e perverso. Tudo muito bem. A história resume-se a isto, o resto do filme é toda uma magnificiência visual e sonora ao melhor estilo série B (ou Z). Efeitos especiais exageradíssimos, com muitas explosões e destruição, litros e litros de sangue que irrompem exageradamente de tudo quanto é ferimento, pedaços de corpos por tudo quanto é lado.

Isto e muito mais fazem desta película uma pequena delícia para os apreciadores do género. Para aqueles que realmente gostam do pormenor, há as falhas de imagem, cortes abruptos, mudanças de rolo, tudo propositado e tudo muito ao estilo do cinema dourado de terror de há umas décadas. Até temos trailers fictícios antes do filme propriamente dito começar, e aqui 'Machete', título da apresentação que vemos antes do começo de Planet Terror, ganha desde logo a nossa adulação (há informação dispersa pela net sobre a possibilidade de Machete ser convertida numa longa metragem por conta própria).
Planet Terror é um produto clássico Rodriguez. Grosseiro, inapropriado, indecente. E é por isso tudo que o devemos adorar. É tudo intencional e este é sem dúvida um grandioso tributo ao gore barato e rasca que há uns anos atrás glorificava o género de terror pelas salas de cinema. Ainda que parte de uma double-feature, partilhando os louros com 'Death Proof' de Tarantino (também um filmaço e que nos recupera Kurt Russell no seu melhor), é 'Planet Terror' que se destaca, merecendo a glória do mais alto degrau do pódio. Incontestadamente adorado pelo total de um bando de 10 taralhões!
Despeço-me com amizade.