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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Caixote Mágico #15

"Arrg, legendary metal music video director David Brodsky (KATAKLYSM, ARSIS, THE BLACK DAHLIA, MURDER) by chance caught us pirates in the act of looting and pillaging a fine vessel along the seas of the Atlantic. With nary a chance of escape, David bartered passage to dry land in exchange for rendering a motion picture tale of our nautical pilferings."

Está tudo dito... Por cortesia do Jonas, passe-se o testemunho a um dos vídeos mais fenomenais de sempre... piratas! e trash metal! Perfeito.





'Cruise Ship Terror' dos americanos Swashbuckle

sábado, 18 de abril de 2009

Metsä

Era um lugar diferente dos outros. Ali o Sol nunca espreitava por entre as nuvens. O céu estava constantemente carregado em tons escuros, a vegetação era mórbida como se sem vontade de viver. As árvores erguiam-se de ramos esticados até ao alto, como se procurassem alcançar os céus. A relva tinha aspecto de queimada e as flores pendiam infelizes como se contando os segundos até enfim deixarem de existir. Não se via vivalma. A população local, escassa, não se dava a contactos com o mundo e invariavelmente os dias eram passados longe de tudo e todos. O ar era pesado e mais difícil de respirar. Havia dias em que o nevoeiro que se instalava vindo das montanhas durava semanas, ninguém sabia bem porquê. À noite, o silêncio já habitual ganhava toda uma nova dimensão. As ruas desertas tornavam-se assustadoras. Por entre a escuridão das ruas não iluminadas ouviam-se sempre sons vindos sabe-se lá de onde, e sentia-se um frio gélido na cara. O nevoeiro adensava-se sempre durante a noite, não se vendo um palmo à frente dos olhos, daí que nem uma pessoa se dava a largar o conforto da lareira para sair. E invariavelmente, à mesma hora de todas as noites, ouviam-se gemidos. De dor? Gritos que pareciam vir do núcleo da Terra, do seu âmago. Do mais profundo e obscuro que há nos seres. Todos fechavam os olhos e continuavam a dormir, ignorar era o melhor remédio. A coisa não durava muito. Apenas breves minutos. No final ouvia-se um bater de asas, como se um bando de corvos estivesse a sobrevoar a cidade em ritmo desenfreado, e enfim o silêncio. O silêncio voltava. Na manhã seguinte o dia nascia com o cheiro fétido da morte. Foi assim que todas as crianças da cidade foram desaparecendo. Depois as mulheres. Mas não se faziam perguntas. Talvez fosse o ar pesado que anestesiasse as pessoas, como se gradualmente sugando-lhes a energia e a vontade de viver. Desde aquele primeiro dia em que cá cheguei que não voltei a sair de casa durante a noite... Há algo de demasiado negro.... demasiado frio.... demasiado.... terrível....



domingo, 29 de março de 2009

dois olhares diferentes sobre o medo

Waltz With Bashir, de Ari Folman, foi sem dúvida um dos esforços mais interessantes de 2008. Sob o conceito original de documentário, com entrevistas reais às pessoas envolvidas, é-lhe aplicado o "filtro" da animação, numa técnica que me recorda A Scanner Darkly, por exemplo. O filme retrata o período da guerra no Líbano e parece funcionar como um expiar dos pecados daqueles que tomaram parte nela. Mostra algo da natureza Humana e como a culpa e o arrependimento podem ser sentimentos duradouros. E prova que a guerra é algo mais que confronto físico, deixando mazelas bem fundas naqueles que a vivem.

No filme, 24 anos depois de ter servido como soldado, Ari reencontra-se com um amigo que lhe quer contar um sonho recorrente que tem e que o transporta até aos tempos da guerra. Nessa mesma noite, Ari tem a sua própria visão sobre os massacres de Sabra e Shatila e apercebe-se que afinal não se recorda de muito dessa altura. E assim decide partir em busca das respostas.

O filme combina brilhantes cenas de animação, que vão desde o desenho realista à experiência surrealista. E tudo é adornado com uma selecção extraordinária de músicas em fundo, desde rock a música clássica, que nos dão a sensação de conseguir viver melhor as emoções ali descritas. De facto, esta músicalidade do filme é um dos pontos fortes para mim.

Waltz With Bashir é uma chamada de atenção, um profundo olhar ao passado, um retrato genuíno. E acho que todos têm a ganhar em ver este filme. Recomendado por 9 em 10 taralhões!




Para os mais interessados num programa para uma noite em que estejam sozinhos e o vento lá fora faça sons que vos deixam a pensar que alguém mais está na casa... eis uma sugestão da minha parte. Session 9 não é um título que tenha merecido grande destaque. No entanto, foi realizado por Brad Anderson que já nos presenteou com um filme extraordinário - The Machinist. Logo aí merece que se dê uma vista de olhos.

Pois bem, o filme surpreendeu-me bastante pela positiva. Realizado com meios escassos (não me parece que o orçamento tenha sido algo de espectacular) e sem um cast de famosos - único nome de destaque é o de David Caruso - o filme tem o feeling certo para este tipo de histórias.

O fio condutor parece simples. Uma equipa de limpeza de amianto ganha o concurso para um trabalho num velho hospício abandonado. O que, à partida, seria um trabalho simples e rapidinho ganha contornos distintos, motivados pela história pessoal de cada um dos personagens. Um destes descobre as gravações das entrevistas de um dos médicos do estabelecimento com uma doente muito particular, mas até à sessão 9 fica sem saber as respostas que o médico tanto procurava para justificar o seu estado de espírito. Gradualmente toda uma cadeia de eventos se vai suceder, instaurando o caos psicológico no seio do grupo de trabalho.

Session 9 não é um clássico filme de terror, diria mais um thriller de suspense muito bem conseguido, ao bom estilo Hitchcock. Valorizam-se as sombras, o jogo de luzes, os sons e os detalhes de cada cena. Não há uma procura do susto fácil, mas sim a tentativa de criar uma sensação de verdadeiro pânico e quase claustrofobia. E gradualmente o filme vai-nos prendendo a atenção e deixando-nos sedentos de saber cada vez mais.

Apreciei bastante, uma vez que hoje em dia é cada vez mais díficil encontrar bons filmes do género. Recomendo a todos os fãs deste tipo de filme e aos mais curiosos também. 9 em 10
taralhões gostaram deste filme!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Planeta Terror



Quando dois artistas geniais como Robert Rodriguez e Quentin Tarantino se juntam e resolvem criar algo, o resultado só pode ser muito bom. Num tributo às sessões duplas do cinema de terror de antigamente (lá para os idos de 70 e companhia) resultou Grindhouse. Uma double-feature que consiste de 'Death Proof' de Tarantino e a obra-prima em que me vou centrar no presente artigo - 'Planet Terror'.

Tudo está bem no mundo até ao dia em que, algures numa base militar perdida no meio do Texas, um arrufo entre negociantes manhosos com muitos tiros à mistura provoca a libertação para a atmosfera de uma suposta arma biológica. Todos aqueles expostos a este gás altamente contagioso sofrem o pequeno inconveniente de se transformarem em zombies assassinos e devoradores de carne! Ora digam lá que não está já tudo bastante delicioso!? Mas há mais e melhor! No meio disto tudo vamos ter um grupo bastante caricato de heróis, que juntos irão combater a praga, destilando litros e litros de sangue por tudo quanto é pixel de imagem.

A nossa heroína é Cherry, uma go-go dancer, que fruto de um ferimento mais grave se viu privada da perna direita. Este detalhe rapidamente é resolvido pelo seu namorado, o mecânico Wray, recorrendo ao seguinte brinquedo:


Exacto! Por esta altura é normal que começem a salivar em antecipação. Com tanta promessa boa não há quem resista! A nossa equipa de heróis improvisados lá parte em busca de refúgio ou de uma solução miraculosa. Ao mesmo tempo que vão aniquilando zombies pelo caminho, têm de se precaver contra os militares obscuros e algo dementes que se lhes opõem também, e que são liderados por Bruce Willis. Ele que contribui para este filme com um papel secundário magnífico. Igualmente digno de registo é o cameo de Tarantino, no papel de soldado nojento e perverso. Tudo muito bem. A história resume-se a isto, o resto do filme é toda uma magnificiência visual e sonora ao melhor estilo série B (ou Z). Efeitos especiais exageradíssimos, com muitas explosões e destruição, litros e litros de sangue que irrompem exageradamente de tudo quanto é ferimento, pedaços de corpos por tudo quanto é lado.


Isto e muito mais fazem desta película uma pequena delícia para os apreciadores do género. Para aqueles que realmente gostam do pormenor, há as falhas de imagem, cortes abruptos, mudanças de rolo, tudo propositado e tudo muito ao estilo do cinema dourado de terror de há umas décadas. Até temos trailers fictícios antes do filme propriamente dito começar, e aqui 'Machete', título da apresentação que vemos antes do começo de Planet Terror, ganha desde logo a nossa adulação (há informação dispersa pela net sobre a possibilidade de Machete ser convertida numa longa metragem por conta própria).

Planet Terror é um produto clássico Rodriguez. Grosseiro, inapropriado, indecente. E é por isso tudo que o devemos adorar. É tudo intencional e este é sem dúvida um grandioso tributo ao gore barato e rasca que há uns anos atrás glorificava o género de terror pelas salas de cinema. Ainda que parte de uma double-feature, partilhando os louros com 'Death Proof' de Tarantino (também um filmaço e que nos recupera Kurt Russell no seu melhor), é 'Planet Terror' que se destaca, merecendo a glória do mais alto degrau do pódio. Incontestadamente adorado pelo total de um bando de 10 taralhões!

Despeço-me com amizade.