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segunda-feira, 16 de março de 2009

Álbum de Recordações #4

Tropa de Elite.

Não há muito mais expressões que consigam descrever com exactidão o portento militar que era o 23º Batalhão de Infantaria das Forças Militares da URSS - Divisão de Operações Especiais.

Composto pelos homens mais bem treinados de sempre na URSS, o que só por si é dizer bastante, estes capazes soldados especializaram-se em operações altamente secretas, pelo que só agora veio a público a sua existência.

O que faziam, faziam-no rápida e eficazmente, sempre pelas sombras para apanhar o inimigo em inferioridade. Sem escrúpulos, sem medos, sem remorsos, a única coisa que importava era a missão cumprida.

De entre as suas inúmeras missões, a principal foi a de aniquilar uma tentativa de ressuscitar o Terceiro Reich, alguns anos após a morte(?) de Hitler. Relatos e documentos da altura provam que havia ainda alguns membros do Partido Nazi escondidos, que conspiravam entre si e aparentemente "tinham feito um pacto" com algum tipo de nação ou entidade para os ajudar a conseguir o seu objectivo. A intervenção do 23º Batalhão na noite de 3 de Abril de 1949 acabou definitivamente com esta ameaça.

Realce também para a missão que evitou, passe a expressão, a "primeira" Segunda Guerra Mundial. Sabemos agora que entre as duas Grandes Guerras, houve uma outra tentativa de criar guerra na Europa. Na França, revivalistas Napoleónicos queriam de novo criar um Império para aglutinar o maior número de países sob a sua bandeira. Foi um 23º Batalhão desfalcado que enfrentou esta ameaça (documentos sobreviveram até hoje dizendo-nos que apenas Oleg, Nikolai e Vassily estiveram presentes nesta ofensiva), mas mais uma vez a perícia, persistência e poderio destes homens neutralizou outra possível catástrofe de não muito grandes dimensões.


É com muito carinho que aqui no Ninho do Taralhão prestamos homenagem ao 23º Batalhão de Infantaria das Forças Militares da URSS - Divisão de Operações Especiais.




23º Batalhão de Infantaria das Forças Militares da URSS - Divisão de Operações Especiais
Abrir imagem para a ver na sua total glória

terça-feira, 29 de julho de 2008

Muito músculo e pouco paleio


Datado de 2007, mas apenas recentemente entre nós, Tropa de Elite foi um dos motivos porque me desloquei recentemente ao cinema. O filme foi alvo de um gigantesco fenómeno de divulgação pirata no Brasil, ao ponto de antes de estrear em sala já ter uma legião de fãs.
Comecemos pelo princípio. O filme terá porventura sido alvo de um hype algo exagerado, não é uma obra prima, mas é um bom filme. Confesso, antes de mais, que sofro do pecado de ainda não ter visto o badalado Cidade de Deus, este sim considerado um filmaço, por isso em termos de "filmes brasileiros que retratam a realidade social das favelas" não tenho termo de comparação. O que eu sei é que Tropa de Elite está bem conseguido.

A história centra-se em torno de um personagem principal: o capitão Nascimento, um dos líderes do BOPE, o batalhão de forças especiais lá da zona. Conhecidos pela sua fama de "entrar a matar", que é como quem diz: dispara primeiro e pergunta depois, o BOPE tem uma nova missão em mãos. Assegurar a segurança do Papa numa visita a uma zona deveras problemática. Ora o capitão tem um filho recém-nascido e começa a acusar o cansaço do trabalho. Por isso, a sua história vai cruzar-se com a de Neto e Matias, dois amigos que se inscrevem na Polícia Militar em busca de se tornarem polícias honestos no combate ao tráfico de droga nas favelas. É que Nascimento está em busca de um substituto para o seu posto, e deposita nestes dois a sua esperança.
O que Neto e Matias não esperavam encontrar era tamanha dose de corrupção na polícia, e é aí que a sua parte na história leva uma valente volta...

Tropa de Elite vai directo ao assunto, muita força bruta e pouca conversa. E quando a há, não é bonita. As cenas de violência policial tentam ser cruas e realistas e os momentos de maior tensão, como os tiroteios na favela são empolgantes o suficiente. A história está bem enquadrada e desenrola-se com naturalidade, respeitando os tempos da acção. Mesmo o facto de vermos a história sob perspectivas distintas, ainda que interligadas, não falha. E, pessoalmente, agradou-me o factor narração por parte do capitão.

Se se trata de uma visão com mensagem política ou simples retrato social, é pergunta para o realizador. Cada um de vós poderá encontrar indícios de conotação política, ou simplesmente encará-los como peças do mosaico. A mim, o filme não me fez ver as coisas pelo prisma governamental/partidário/whatever, mas sim pelo lado do dito BOPE, porventura a réstia de honestidade e convicção num sistema militar corrupto onde é cada um por si. Naturalmente, com as suas vítimas pelo caminho. Mas é assim na vida real, imperfeito e nem sempre com final feliz.

Apreciado por um total de 7 em 10 taralhões.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Álbum de recordações

Malaquias e o pessoal do 3º regimento de infantaria em momento de descontracção.



Malaquias era um rapaz tímido. Filho único, seu pai tinha o vício da embriaguez e sua mãe pecava pelas fragilidades no domínio da inteligência. Viviam no bosque - foi o único lar que conheceu - e desde cedo Malaquias contactou com a natureza. Viria a tornar-se uma das suas maiores paixões. Isso e devorar homenzinhos durante a época de caça. Não eram uma família muito abastada, mas o bosque proporcionava-lhes tudo o que necessitavam. Quando o pai chegava bêbedo a casa e gritava com a mãe, Malaquias fugia para o meio das árvores, corria sem parar, até chegar à beira do riacho onde todas as manhãs tomava banho. Sempre foi muito asseado. Sentava-se a atirar pedrinhas à água e esperava que tudo passasse. Os peixes eram os seus confidentes. E o almoço também. Às vezes, Malaquias acordava durante a noite com pesadelos. Ia até ao quarto dos pais procurar conforto. Um dia abriu a porta e viu o pai e a mãe brincarem a um jogo estranho, sem roupa, ele montado nela, mordaça na boca. Pareciam estar a sofrer, pelo barulho da coisa, mas Malaquias não quis interromper. Gostava de bolachas Oreo e de mergulhá-las no leite. Ou no sangue ainda quente das famílias que obliterava, quando as apanhava a fazerem piqueniques. Era uma criança feliz.

Quando atingiu a maioridade Malaquias chateou-se com o pai e saiu de casa. Fora apanhado a masturbar-se com fotos do Winnie the Pooh e ele bateu-lhe. Partiu sem dizer adeus. O Governo descobriu-o a viver na floresta e foi chamado à tropa. Malaquias não gostava de exercício físico. Tentou escapar, argumentou que via mal ao longe. Não resultou.

Malaquias fez a recruta, a custo. Ao fim da primeira semana devorou um colega. Chamara-lhe "Gordzilla", numa clara alusão aos seus quilinhos extra. Foi castigado com uma semana de cozinha, a descascar batatas. Comeu metade. Quando a guerra rebentou foi destacado para o 3º regimento de infantaria. Combateu na frente e foi nomeado curandeiro. Decorridas algumas semanas o seu pelotão tinha sido dizimado. Não foram encontrados cadáveres. Malaquias engordou. Fruto do seu estranho desaparecimento foi declarado "desaparecido em combate", e nunca mais ninguém lhe pôs a vista em cima. Malaquias era um rapaz tímido. Malaquias só procurava compreender o seu papel no mundo. Nunca encontrou as respostas que procurava.